{"id":1467,"date":"2020-10-27T14:26:53","date_gmt":"2020-10-27T17:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/?p=1467"},"modified":"2021-01-08T09:02:53","modified_gmt":"2021-01-08T12:02:53","slug":"direito-e-arte-nasuacasa-direito-e-civilizacao-nos-filmes-de-faroeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/27\/direito-e-arte-nasuacasa-direito-e-civilizacao-nos-filmes-de-faroeste\/","title":{"rendered":"Direito e Arte #NaSuaCasa: Direito e civiliza\u00e7\u00e3o nos filmes de faroeste"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\">Jos\u00e9 Bruno Ap. Silva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-attachment-id=\"1469\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/27\/direito-e-arte-nasuacasa-direito-e-civilizacao-nos-filmes-de-faroeste\/direito-e-arte-1-1024x576-2-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2.jpg\" data-orig-size=\"1024,576\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"DIREITO-E-ARTE-1-1024&#215;576-2\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-300x169.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-1024x576.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1469\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2.jpg 1024w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-1000x563.jpg 1000w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576-2-533x300.jpg 533w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\">Muitos autores j\u00e1 se\ndebru\u00e7aram sobre a rela\u00e7\u00e3o entre direito e civiliza\u00e7\u00e3o, para alguns o direito\nsurge com a civiliza\u00e7\u00e3o, para outros o direito \u00e9 uma consequ\u00eancia da\nciviliza\u00e7\u00e3o e para outros ele pode ser anterior \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. Evidente que em\nalgumas destas concep\u00e7\u00f5es a ideia de Direito n\u00e3o pressup\u00f5e um ordenamento\ncomplexo, com normas escritas ou advindas do costume, mas t\u00e3o somente normas\nrudimentares que visavam punir determinadas condutas ou proteger determinados\ndireitos, como, por exemplo, o direito \u00e0 propriedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um g\u00eanero do cinema\ncl\u00e1ssico em especial retrata bem esta rela\u00e7\u00e3o entre direito e civiliza\u00e7\u00e3o, o <em>western<\/em>. O termo em ingl\u00eas significa\n\u201cocidental\u201d e faz refer\u00eancia \u00e0 fronteira entre o lado leste dos Estados Unidos\ne o oeste at\u00e9 ent\u00e3o (no per\u00edodo em que as hist\u00f3rias se passam) ainda n\u00e3o\ndesbravado. A regi\u00e3o onde ainda n\u00e3o havia chegado a civiliza\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m\nchamada de oeste distante, ou <em>far west<\/em>\nno original, esta express\u00e3o daria origem ao termo aportuguesado\n\u201cfaroeste\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns elementos s\u00e3o\ncaracter\u00edsticos do faroeste como g\u00eanero e v\u00e1rios destes elementos est\u00e3o\npresentes tanto na sua manifesta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria quanto na cinematogr\u00e1fica. Boa\nparte dos conflitos retratados em filmes deste g\u00eanero resulta do embate entre\nmodelos sociais distintos, estando no centro um modelo baseado na concep\u00e7\u00e3o\neuropeia de civiliza\u00e7\u00e3o e de outro lado, na posi\u00e7\u00e3o de antagonista, qualquer\nindiv\u00edduo ou grupo que represente resist\u00eancia a este modelo, o que inclui os\nfora-da-lei, vadios, negros e ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9todos do lado que\nrepresenta a civiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o, contudo, muitas das vezes mais b\u00e1rbaros que as\namea\u00e7as que visam combater. O direito (a lei e o poder de punir) se concentra\nnormalmente na figura do xerife e n\u00e3o raras vezes s\u00e3o retratados nestas obras\ncasos de corrup\u00e7\u00e3o e de abuso de autoridade. Neste aspecto se percebe o risco\nde se concentrar em uma \u00fanica inst\u00e2ncia (ou pior, em uma \u00fanica pessoa) o poder\nde legislar, de atribuir penas e o de fazer cumprir estas penas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia \u00e9, neste\nper\u00edodo, o meio mais eficaz de exerc\u00edcio da coercibilidade e, por conta disso,\nfaz valer a sua vontade aquele que \u00e9 mais r\u00e1pido no gatilho ou que tenha maior n\u00famero\nde aliados. \u00c9 poss\u00edvel perceber que h\u00e1 direito e h\u00e1 normatiza\u00e7\u00e3o, ainda que\nrudimentares e fr\u00e1geis, contudo, n\u00e3o necessariamente h\u00e1 justi\u00e7a, pois n\u00e3o se\nbusca a justa medida ou a \u00e9tica das decis\u00f5es, apenas a prote\u00e7\u00e3o de um direito,\nainda que injusto, e a vingan\u00e7a particular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-attachment-id=\"1468\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/27\/direito-e-arte-nasuacasa-direito-e-civilizacao-nos-filmes-de-faroeste\/russell\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell.jpg\" data-orig-size=\"620,413\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"russell\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell-300x200.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"620\" height=\"413\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1468\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell.jpg 620w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell-300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/russell-450x300.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption><strong> <\/strong><em><strong>Kurt Russell em &#8216;Bone Tomahawk&#8217; &#8211; Rastro de Maldade 2015 (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/em><strong> <\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o de direito\nse encontra entre os dois modelos sociais em conflito, o da sociedade intocada\npelo modelo europeu e o da sociedade supostamente mais avan\u00e7ada representada\npela civiliza\u00e7\u00e3o existente ao leste do territ\u00f3rio. O direito visa, portanto,\nabrir caminho para o novo, mas frequentemente flerta com os interesses de quem\nlucra mais com a manuten\u00e7\u00e3o do modelo anterior que j\u00e1 se encontra em\nesgotamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns elementos, dentre\nos citados no in\u00edcio deste texto, representam a chegada do novo, e dentre estes\nest\u00e3o a expans\u00e3o das linhas f\u00e9rreas, que reduz os isolamentos geogr\u00e1ficos, o\nadvento do tel\u00e9grafo, que permite a comunica\u00e7\u00e3o com outras partes do pa\u00eds, e a\nchegada da imprensa, que passa a exercer em certa medida o papel de poder\nregulador.<\/p>\n\n\n\n<p>Passado o per\u00edodo de ouro\nda Hollywood cl\u00e1ssica, os filmes de faroeste come\u00e7am a ganhar uma nova\nroupagem, mais cr\u00edtica, mais engajada e menos manique\u00edsta. Surge assim o\nchamado <em>western<\/em> revisionista, cujas\ntramas descontroem estere\u00f3tipos explorados exaustivamente nas d\u00e9cadas\nanteriores e revisam a posi\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas e negros, que por muito tempo foram\nvilanizados ou ridicularizados por obras do g\u00eanero. O revisionismo n\u00e3o deixou o\ng\u00eanero desaparecer por completo e tamb\u00e9m produziu obras de seminal import\u00e2ncia\npara compreender o que o te\u00f3rico Andr\u00e9 Bazin (2014) chamou de o g\u00eanero mais\ngenuinamente americano.<\/p>\n\n\n\n<p>O faroeste como g\u00eanero\ntraz consigo in\u00fameras possibilidades de reflex\u00e3o acerca do Direito, de sua\nconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, sua efic\u00e1cia e sobretudo dos meios pelos quais ele se\nexerce. H\u00e1 nas pequenas cidades, onde normalmente esses filmes se passam,\nmicrocosmos que representam atores e constru\u00e7\u00f5es sociais que ajudam muito a\ncompreender fatos presentes tamb\u00e9m nas sociedades atuais, como a justi\u00e7a popular\n(justi\u00e7a feita com as pr\u00f3prias m\u00e3os) e o uso da viol\u00eancia como forma de\nexerc\u00edcio da coercibilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o ver nas regi\u00f5es e comunidades tomadas por traficantes ou milicianos uma extens\u00e3o do modelo social representado nos filmes de faroeste? A falta de alcance do Estado, o exerc\u00edcio do poder pela for\u00e7a e o dep\u00f3sito da esperan\u00e7a em figuras supostamente heroicas, que em pouco se diferenciam dos bandidos, que se espera combater. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, os westerns est\u00e3o mais atuais do que nunca.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\">Se o faroeste representa o processo de forma\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o, outro g\u00eanero de grande relev\u00e2ncia no cinema cl\u00e1ssico representa o processo de deteriora\u00e7\u00e3o de suas institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 o <em>film noir<\/em>, mas este \u00e9 um tema para outra edi\u00e7\u00e3o do Direito e Arte #NaSuaCasa.  <\/p>\n\n\n\n<p><strong>10 filmes seminais para entender o\ng\u00eanero:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; <strong>Rastros de \u00f3dio<\/strong> (1956) de John Ford<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 <strong>Matar ou morrer<\/strong> (1952) de Fred Zinnemann<\/p>\n\n\n\n<p>3 \u2013 <strong>O homem que matou o fac\u00ednora<\/strong> (1962) de\nJohn Ford<\/p>\n\n\n\n<p>4 \u2013 <strong>Tr\u00eas homens em conflito<\/strong> (1966) de\nSergio Leoni <\/p>\n\n\n\n<p>5 \u2013 <strong>Era uma vez no oeste<\/strong> (1968) de Sergio\nLeoni &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6 \u2013 <strong>No tempo das dilig\u00eancias<\/strong> (1939) de John\nFord<\/p>\n\n\n\n<p>7 \u2013 <strong>Meu \u00f3dio ser\u00e1 tua heran\u00e7a<\/strong> (1969) de Sam\nPeckinpah<\/p>\n\n\n\n<p>8 \u2013 <strong>Dan\u00e7a com lobos<\/strong> (1990) de Kevin Costner\n<\/p>\n\n\n\n<p>9 \u2013 <strong>Os imperdo\u00e1veis<\/strong> (1992) de Clint\nEastwood<\/p>\n\n\n\n<p>10 \u2013 <strong>Django livre<\/strong> (2012) de Quentin\nTarantivo <\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias\nbibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n\n\n\n<p>BAZIN, Andr\u00e9. <strong>O que \u00e9 cinema?<\/strong>. Trad. de Eloisa Ara\u00fajo\nRibeiro. S\u00e3o Paulo: Cosac Naify, 2014<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Bruno Ap. Silva Muitos autores j\u00e1 se debru\u00e7aram sobre a rela\u00e7\u00e3o entre direito e civiliza\u00e7\u00e3o, para alguns o direito surge com a civiliza\u00e7\u00e3o, para outros o direito \u00e9 uma consequ\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o e para outros ele pode ser anterior \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. 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