{"id":1456,"date":"2020-10-14T16:12:17","date_gmt":"2020-10-14T19:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/?p=1456"},"modified":"2021-01-08T09:03:12","modified_gmt":"2021-01-08T12:03:12","slug":"dia-mundial-da-saude-mental-um-importante-capitulo-da-historia-da-loucura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/14\/dia-mundial-da-saude-mental-um-importante-capitulo-da-historia-da-loucura\/","title":{"rendered":"Dia Mundial da Sa\u00fade Mental, um importante cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da loucura"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-attachment-id=\"1459\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/14\/dia-mundial-da-saude-mental-um-importante-capitulo-da-historia-da-loucura\/dadadadadadadadda\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda.jpg\" data-orig-size=\"500,500\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"dadadadadadadadda\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda-300x300.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"500\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1459\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda.jpg 500w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda-150x150.jpg 150w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda-300x300.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/dadadadadadadadda-85x85.jpg 85w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>No dia 10 de outubro \u00e9 comemorado o Dia Mundial da Sa\u00fade Mental e, por esse motivo, quis destacar alguns breves elementos deste important\u00edssimo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da loucura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por:  Bernardo Sollar Godoi, bacharel em Psicologia pela UNIVI\u00c7OSA, mestre em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o pela UFJF, doutorando em Psicologia pela UFMG.  Docente do Centro Universit\u00e1rio de Vi\u00e7osa &#8211; UNIVI\u00c7OSA. <\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-attachment-id=\"1457\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/10\/14\/dia-mundial-da-saude-mental-um-importante-capitulo-da-historia-da-loucura\/unnamed\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed.jpg\" data-orig-size=\"511,423\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed-300x248.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"511\" height=\"423\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1457\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed.jpg 511w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed-300x248.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed-362x300.jpg 362w\" sizes=\"(max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><figcaption> Imagem: giphy.com <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9\nposs\u00edvel falar de sa\u00fade mental sem falar de loucura. E a hist\u00f3ria da loucura \u00e9,\ncomo apresentada por Michel Foucault, longa e multifacetada. Assim como n\u00e3o\nexiste sociedade sem modos normativos de se viver, n\u00e3o existe sociedade sem\nloucura. Acontece que a loucura recebeu diversas faces em diferentes culturas e\nmesmo ao longo da hist\u00f3ria da sociedade ocidental. Em algumas culturas isoladas\ne em determinados momentos da hist\u00f3ria do ocidente, os loucos eram s\u00e1bios \u2013 ora\ntrazendo not\u00edcias de outros mundos ora falando as verdades que mais ningu\u00e9m\nreconhecia \u2013 ou pessoas que denunciavam contradi\u00e7\u00f5es sociais ou, ainda, pessoas\nque apenas instigavam curiosidade aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pouco tempo que a loucura passou a chamar mais a aten\u00e7\u00e3o. De maneira principal, porque era um componente de contradi\u00e7\u00e3o em uma nascente sociedade burguesa, pautada na redu\u00e7\u00e3o dos elementos do mundo a coisas a serem descritas, entendidas em seu modo de funcionamento, previstas e manipuladas, com a estrita finalidade de gerar lucro. Nesse momento, as figuras da loucura passam a ser um problema social por n\u00e3o mais obedecer (ou se adequar) a uma normatividade moral espec\u00edfica (de forma de trabalho e de modo de viver) e, por vezes, ser capaz de trazer \u00e0 tona as hipocrisias da ideologia moderna crescente. <\/p>\n\n\n\n<p>Com o\nvalor utilit\u00e1rio tomando o lugar da moral religiosa tradicional, as figuras do\ndesatino s\u00e3o relegadas ao isolamento em casas de internamento, que n\u00e3o possu\u00edam\nnenhuma proposta terap\u00eautica. A loucura era muito mais uma quest\u00e3o de falta\nmoral do que uma condi\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica. A atribui\u00e7\u00e3o de uma condi\u00e7\u00e3o como\npsicopatol\u00f3gica vai acontecer pouco tempo depois. Isso mesmo: loucura e doen\u00e7a\nmental nem sempre estiveram atadas!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 s\u00f3 no fim do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX que surge a figura do m\u00e9dico que toma como objeto de conhecimento essas pessoas que estavam internadas nessas institui\u00e7\u00f5es. A partir desse momento, a loucura passa a ser aprisionada no discurso da doen\u00e7a mental, por ser objeto de conhecimento de uma especialidade m\u00e9dica. Ali\u00e1s, isso n\u00e3o s\u00f3 provoca o surgimento do campo da Psiquiatria, mas tamb\u00e9m parte de uma \u00e1rea de estudos da Psicologia. Tais disciplinas teriam subsumido o discurso do louco em um discurso especializado que comunicaria a verdade sobre a loucura, restando \u00e0 loucura permanecer em sil\u00eancio. Os diagn\u00f3sticos, ainda bastante rudimentares, passaram a ser a legitima\u00e7\u00e3o especializada para a segrega\u00e7\u00e3o nas casas de internamento em nome da moral burguesa. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso vai\nse desdobrar em discuss\u00f5es calorosas acerca da origem das doen\u00e7as mentais, que\nn\u00e3o tiveram um fim definitivo at\u00e9 os nossos dias: seriam elas org\u00e2nicas ou\nderivadas de uma falha na personalidade? Seriam provocadas por uma acelera\u00e7\u00e3o\ndesenfreada do \u201cprogresso\u201d das nossas sociedades ocidentais capitalistas e\nmodernas, que exigem cada vez mais das pessoas, ou de um aspecto traum\u00e1tico na\nvida ou, mais recentemente, uma disfun\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica dos neurotransmissores?\nV\u00e1rios termos foram criados (e continuam sendo criados) para designar os\nsintomas, as formas de funcionamento e diversos transtornos, quadros cl\u00ednicos e\ns\u00edndromes. <\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, o come\u00e7o dessa empreitada \u2013 e n\u00e3o foi \u00e0 toa a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra \u201caprisionada\u201d ali em cima \u2013, foi marcada pela redu\u00e7\u00e3o da pessoa a uma condi\u00e7\u00e3o de objeto, objetivada \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a. A hist\u00f3ria do sujeito passou a ser reduzida ao hist\u00f3rico da doen\u00e7a e \u00e0 descri\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es dos sintomas. Algo parece ter, com isso, ficado de fora, n\u00e3o \u00e9 mesmo? <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/media.giphy.com\/media\/3o7TKTvwLRXsTdXpJu\/giphy.gif\" alt=\"\"\/><figcaption>Imagem: giphy.com<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea\npoderia me interpelar, com raz\u00e3o, por ler estas linhas e n\u00e3o encontrar, at\u00e9\nagora, qualquer men\u00e7\u00e3o a \u201csa\u00fade mental\u201d, sendo este o prop\u00f3sito ent\u00e3o designado\npara este texto. Pe\u00e7o um pouco mais de paci\u00eancia ao benevolente leitor, pois\nchegarei a tal quest\u00e3o.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Percebemos,\ncom esse brev\u00edssimo resgate hist\u00f3rico sobre a loucura, o que estaria por tr\u00e1s das\nartimanhas al\u00e7adas para ela ser silenciada em nossas sociedades modernas \u2013 a\nsaber, a condi\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a e de desvio moral. No entanto, em dado momento,\nsurgiram propostas que permitiram com que a loucura passasse de voz silenciada a\nvoz escutada. N\u00e3o s\u00f3 a loucura de quadros mais graves, mas a loucura de todos\nn\u00f3s. <\/p>\n\n\n\n<p>Em\noutras palavras, surgem terap\u00eauticas que se pautam em uma concep\u00e7\u00e3o diferente\nda condi\u00e7\u00e3o humana: o ser humano n\u00e3o \u00e9 um ser eminentemente racional, aut\u00f4nomo,\nautodeterminante e consciente de todas as suas a\u00e7\u00f5es e vontades. Isso abre\nespa\u00e7o para considerar a exist\u00eancia de tra\u00e7os de loucura em todos n\u00f3s. Nem\nsempre sabemos exatamente o que queremos, o que dizemos e o motivo pelo qual\nnos comportamos de dada maneira. Essa abertura propicia, como consequ\u00eancia, um processo\nde reconhecimento da loucura do outro, em um espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o. Isso proporciona,\ntamb\u00e9m, uma cr\u00edtica \u00e0 assimetria que antes se estabelecia na rela\u00e7\u00e3o\nautorit\u00e1ria com as figuras da loucura. <\/p>\n\n\n\n<p>A\nassist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental no Brasil \u2013 bem como em diversos pa\u00edses \u2013 tiveram\nseus tempos obscuros. A \u00fanica atua\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental era o hospital\npsiqui\u00e1trico e, nele, residiam todos aqueles que teriam gerado algum tipo de\ninc\u00f4modo social. O objetivo dos hospitais era ser o dep\u00f3sito dessas pessoas. As\ndisciplinas da sa\u00fade, respons\u00e1veis por elas, eram, infelizmente, reduzidas \u00e0\ncondi\u00e7\u00e3o de instrumento \u201ctecnocient\u00edfico\u201d do exerc\u00edcio do poder e da viol\u00eancia para\na finalidade de exclus\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExclus\u00e3o\u201d\n\u00e9 a palavra que marca grande parte da hist\u00f3ria da loucura. A redu\u00e7\u00e3o do\nsujeito, provocada pela coloca\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de objeto, atribuindo a \u00eanfase na\ndoen\u00e7a em detrimento do sujeito, n\u00e3o s\u00f3 promove a sua inferioriza\u00e7\u00e3o \u2013 as\nrela\u00e7\u00f5es eram pautadas em uma exclusividade vertical da autoridade t\u00e9cnica \u2013,\ncomo a anula\u00e7\u00e3o de qualquer possibilidade de efeito cr\u00edtico que a loucura pode\nter no contexto em que ela emerge. A loucura, considerada dentro desse modelo\nde rela\u00e7\u00e3o, era um problema sempre individual e do outro (totalmente diferente\nde mim); nunca uma quest\u00e3o emergida em um contexto cultural espec\u00edfico de\nrela\u00e7\u00f5es e trocas. <\/p>\n\n\n\n<p>Embora\ntenha ocorrido casos de movimentos e posturas contr\u00e1rias e cr\u00edticas a esse\ncen\u00e1rio, \u00e9 s\u00f3 a partir do fim da d\u00e9cada de 1970 que ocorre uma mobiliza\u00e7\u00e3o mais\nempenhada em transformar a atmosfera da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental no Brasil. \u00c9\nmuito louv\u00e1vel o que os trabalhadores do campo da sa\u00fade mental fizeram e\ncontinuam a fazer para mudar o cen\u00e1rio da redu\u00e7\u00e3o do sujeito \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o\npsicopatol\u00f3gica. Como o psiquiatra italiano Franco Basaglia \u2013 que influenciou\nfortemente as mudan\u00e7as tra\u00e7adas na reestrutura\u00e7\u00e3o desse tipo de assist\u00eancia no\nBrasil \u2013 prop\u00f5e: colocar a doen\u00e7a entre par\u00eanteses. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/media.giphy.com\/media\/l4FGDiC9RCLrblZ2E\/giphy.gif\" alt=\"\"\/><figcaption> Imagem: giphy.com <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Se o que\nse teria realizado, at\u00e9 ent\u00e3o, foi a coloca\u00e7\u00e3o do sujeito entre par\u00eanteses, \u00e9 necess\u00e1rio\ninverter os termos. Essa vai ser a chave de leitura a partir da qual o campo da\nsa\u00fade mental vai ser repensado no Brasil. E, assim, visualizamos o processo que\nficou conhecido como Reforma Psiqui\u00e1trica. Irrompida como um movimento dos\ntrabalhadores em sa\u00fade mental no fim da d\u00e9cada de 1970, a Reforma Psiqui\u00e1trica \u00e9\num processo complexo e lento de reestrutura\u00e7\u00e3o de toda a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade\nmental, tendo como visada a redu\u00e7\u00e3o paulatina dos leitos psiqui\u00e1tricos e a\nconstru\u00e7\u00e3o de uma rede de aten\u00e7\u00e3o psicossocial extra-hospitalar. \u00c9 uma\nverdadeira luta para que o pa\u00eds tenha uma assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental\nterritorial, descentralizada, universal e democr\u00e1tica. Enfim, o objetivo \u00faltimo\n\u00e9 a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o da loucura. <\/p>\n\n\n\n<p>Colocar\na doen\u00e7a entre par\u00eanteses, al\u00e9m de fazer com que se relacione com o sujeito por\ndetr\u00e1s da doen\u00e7a, possibilita que uma necess\u00e1ria reflex\u00e3o seja posta: falar da\nloucura implica tamb\u00e9m falar da loucura que habita em cada um de n\u00f3s, sem a\n\u201cpsicopatologizar\u201d. Al\u00e9m disso, permite com que n\u00e3o reduza pessoas brilhantes\n(e suas obras) \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas (ou, ainda, supostamente\npsicopatol\u00f3gicas): como \u00e9 o caso de Friedrich Nietzsche, Vincent Van Gogh, Antonin\nArtaud, entre outros. Por mais que n\u00e3o tenham sido consideradas exemplo de\nsa\u00fade mental \u2013 algu\u00e9m \u00e9? \u2013, eles foram pessoas que deixaram um legado de\nlucidez acerca da realidade e\/ou de obras magn\u00edficas. Rubem Alves mesmo j\u00e1\nescreveu sobre isso, em um pequeno texto sobre sa\u00fade mental. <\/p>\n\n\n\n<p>Se formos mais longe nesse caminho, chegamos \u00e0 quest\u00e3o imposs\u00edvel sobre uma defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. Definir sa\u00fade ou sa\u00fade mental passa por quest\u00f5es de valores individuais, formas normativas de vida que s\u00e3o impostas \u00e0s pessoas, rela\u00e7\u00f5es com a hist\u00f3ria familiar, a experi\u00eancia singular de algu\u00e9m e composi\u00e7\u00e3o do arcabou\u00e7o de valor de determinada cultura. Dizer, por exemplo, que algu\u00e9m possui sa\u00fade mental por n\u00e3o ter uma doen\u00e7a diagnosticada n\u00e3o \u00e9 seguro, assim como n\u00e3o \u00e9 garantia que o contr\u00e1rio seja verdadeiro. \u00c9 bem poss\u00edvel algu\u00e9m estar adaptado ao seu ambiente e ser funcional (realizar suas tarefas, periodicamente se divertir etc.), mas ter sintomas ps\u00edquicos que lhe causam algum sofrimento; assim como \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m com uma condi\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica seguir um tratamento e viver como algu\u00e9m considerado \u201cnormal\u201d. Inclusive, a quest\u00e3o do que seria normal ou n\u00e3o \u00e9 outra problem\u00e1tica que nos levaria longe! <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/media.giphy.com\/media\/gLttZl9PUY7xoJZb6t\/giphy.gif\" alt=\"\"\/><figcaption> Imagem: giphy.com <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De toda\nforma, definir sa\u00fade mental, enquanto um conceito normativo e natural, poderia\nnos impelir a uma fantasiosa teoria moral da felicidade \u2013 o que est\u00e1 longe de\nser feito aqui. Ali\u00e1s, principalmente no atual contexto, em que vivenciamos, a\ntodo momento, disparos de desinforma\u00e7\u00e3o, descaso com a sa\u00fade p\u00fablica, ataques\ncada vez mais ferrenhos (e inacredit\u00e1veis) \u00e0 democracia, desrespeito e viol\u00eancia\ncontra minorias sociais, ataques e neglig\u00eancias diretas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o do planeta\nem nome do capital, inseguran\u00e7as quanto ao futuro do pa\u00eds, explicita\u00e7\u00e3o de\nideologias supremacistas, vemos, tamb\u00e9m, o quanto a proposta de definir sa\u00fade\nn\u00e3o pode estar apartada do contexto em se est\u00e1 inserido. <\/p>\n\n\n\n<p>No\nentanto, se tem algo no campo da Sa\u00fade Mental que pode ser definido \u00e9 o fato de\nser um campo que defende a resist\u00eancia contra a arbitrariedade da rela\u00e7\u00e3o de\nautoridade, pautadas na viol\u00eancia e na exclus\u00e3o das pessoas em sofrimento\nps\u00edquico. Nesse sentido, pensar a sa\u00fade mental por meio das discuss\u00f5es\npropostas por Georges Canguilhem pode vir a calhar: a sa\u00fade \u00e9 a capacidade que\nse tem de cair doente e se recuperar; \u00e9 tamb\u00e9m a pot\u00eancia de um sujeito criar\nnovas formas de exist\u00eancia, mesmo diante de adversidades. Sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\ndo que passar ileso ou indiferente pela vida, mas enfrentar, afirmativamente, as\nsuas oscila\u00e7\u00f5es. Essa proposta \u00e9 uma tentativa de esbo\u00e7ar uma defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o\ndefinitiva de sa\u00fade, mas dial\u00e9tica e contextual. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 10 de outubro \u00e9 comemorado o Dia Mundial da Sa\u00fade Mental e, por esse motivo, quis destacar alguns breves elementos deste important\u00edssimo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da loucura. 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