{"id":1290,"date":"2020-07-17T10:51:02","date_gmt":"2020-07-17T13:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/?p=1290"},"modified":"2020-07-17T10:53:29","modified_gmt":"2020-07-17T13:53:29","slug":"o-projeto-direito-arte-nasuacasa-traz-reflexoes-sobre-o-livro-assim-na-terra-como-embaixo-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/07\/17\/o-projeto-direito-arte-nasuacasa-traz-reflexoes-sobre-o-livro-assim-na-terra-como-embaixo-da-terra\/","title":{"rendered":"O projeto Direito &#038; Arte #NaSuaCasa traz reflex\u00f5es sobre o livro &#8220;Assim na terra como embaixo da terra&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p> S\u00e9rie produzida por alunos do 8\u00ba per\u00edodo do curso de Direito da Univi\u00e7osa, Jos\u00e9 Bruno Aparecida da Silva e Diego de Castro, e orientada pelas docentes \u00c2ngela Barbosa Franco e Maria Antonieta Rigueira. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-attachment-id=\"1231\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/06\/26\/o-projeto-direito-arte-nasuacasa-traz-reflexoes-sobre-a-serie-hoje-e-dia-de-maria\/direito-e-arte-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1.jpg\" data-orig-size=\"1920,1080\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"DIREITO-E-ARTE-1\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-300x169.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1231\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-1000x563.jpg 1000w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1-533x300.jpg 533w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/DIREITO-E-ARTE-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> S\u00e9rie produzida por alunos do 8\u00ba per\u00edodo do curso de Direito da Univi\u00e7osa, Jos\u00e9 Bruno Aparecida da Silva e Diego de Castro, e orientada pelas docentes \u00c2ngela Barbosa Franco e Maria Antonieta Rigueira. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Assim na terra como embaixo da terra<\/em>&#8220;, de Ana Paula Maia (2017): um livro impactante, para ler em uma sentada s\u00f3! A autora carioca venceu, em 2018, o pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura com esta obra de 143 p\u00e1ginas, que \u00e9 lida em um \u00fanico f\u00f4lego.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-attachment-id=\"1291\" data-permalink=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/index.php\/2020\/07\/17\/o-projeto-direito-arte-nasuacasa-traz-reflexoes-sobre-o-livro-assim-na-terra-como-embaixo-da-terra\/direito-32\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO.jpg\" data-orig-size=\"300,466\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"DIREITO\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO-193x300.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"466\" src=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1291\" srcset=\"https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO.jpg 300w, https:\/\/blog.univicosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DIREITO-193x300.jpg 193w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Capa da obra<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A narrativa \u00e9 ambientada em uma col\u00f4nia penal isolada, desolada e porque n\u00e3o dizer tamb\u00e9m amaldi\u00e7oada (ela foi constru\u00edda sobre uma antiga fazenda de escravos). Recebe homens condenados por homic\u00eddios, que cumpriam suas senten\u00e7as em outras unidades prisionais. Na obra, a col\u00f4nia constitui uma alegoria do sistema prisional e do encarceramento como forma de puni\u00e7\u00e3o, o que pode ser percebido no excerto a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;O confinamento de homens assemelha-se a um curral de animais. O gado \u00e9 abatido para se transformar em alimento; os homens, por sua vez, s\u00e3o abatidos para deixarem de existir. N\u00e3o \u00e9 um lugar de recupera\u00e7\u00e3o ou coisa que o valha, \u00e9 um curral para se amontoarem os indesejados, muito semelhante aos espa\u00e7os destinados \u00e0s montanhas de lixo, que ningu\u00e9m quer lembrar que existem, ver ou sentir seus odores.&#8221; (MAIA, 2017, p. 97)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um lugar perdido no espa\u00e7o (pode muito bem estar localizado nos confins do Brasil, mas pode tamb\u00e9m se situar em qualquer outro lugar do planeta) e no tempo. Revela um presente angustiado pelos crimes e culpas do passado, sem qualquer perspectiva de futuro (s\u00f3 o fim, a terra que tudo devora). Ela ser\u00e1 desativada em breve, por um oficial de Justi\u00e7a enviado pelo Estado, e seus poucos prisioneiros sobreviventes ser\u00e3o transferidos. A espera por este servidor p\u00fablico amarra toda a hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dos poucos personagens da trama \u00e9 muito bem elaborada pela\nautora. Tanto os guardas quanto os presos s\u00e3o rudemente e duramente humanos,\ncom todos os paradoxos inerentes a essa condi\u00e7\u00e3o (bondade\/maldade,\nraz\u00e3o\/emo\u00e7\u00e3o, medo\/coragem, reflex\u00e3o\/instinto). Al\u00e9m do mais, a todo tempo, o\nenredo mostra a tens\u00e3o e a for\u00e7ada cordialidade existente entre agentes\ncarcer\u00e1rios e sentenciados e revela como o ambiente de encarceramento vai se\namalgamando \u00e0s suas personalidades, produzindo dram\u00e1ticos e irrevers\u00edveis\nefeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>As frases s\u00e3o curtas. O discurso direto \u00e9 recorrente (h\u00e1 in\u00fameros di\u00e1logos no livro), o que d\u00e1 muita dinamicidade e fluidez ao texto. O recurso dos <em>flashbacks<\/em> (volta ao passado de alguns personagens) tamb\u00e9m \u00e9 utilizado e permite ao leitor uma compreens\u00e3o imediata da raz\u00e3o de certas atitudes e comportamentos. A ambienta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, pois cria um cont\u00ednuo suspense durante a leitura. As alegorias do javali e da ca\u00e7a aos presos s\u00e3o repletas de significados. <\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do livro, a lembran\u00e7a da novela &#8220;<em>Na col\u00f4nia penal<\/em>&#8220;, de Franz Kafka (2011), vem \u00e0 tona. Nas duas narrativas curtas, est\u00e3o presentes os mesmos elementos: a atmosfera pesada e sufocante (uma sensa\u00e7\u00e3o de bigorna a esmagar o peito), a opress\u00e3o do humano pelo institucional e a rela\u00e7\u00e3o do confinamento com a loucura.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o t\u00edtulo do livro como algumas outras passagens (a frase escrita na entrada da col\u00f4nia, por exemplo) levam o leitor a um plano metaf\u00edsico, religioso, sendo inevit\u00e1vel pensar que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dar mesmo a ideia de expia\u00e7\u00e3o dos pecados. pela dor e pelo sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 inocentes na hist\u00f3ria: n\u00e3o o s\u00e3o os Sentenciados que ali cumprem suas penas e n\u00e3o o s\u00e3o os agentes estatais que as executam. Todos s\u00e3o parte de um microssistema degradante e desumano, que a todos deteriora, massacra e engole. O livro nos permite questionar profundamente a op\u00e7\u00e3o pelo encarceramento massivo e as consequ\u00eancias dessa escolha, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como no mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: professora Maria Antonieta Rigueira Leal Gurgel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> KAFKA, Franz. <strong>O verdicto \/ Na col\u00f4nia penal<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o: Modesto Carone. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>MAIA, Ana Paula. <strong>Assim na terra como embaixo da terra<\/strong>. Rio de Janeiro: Record, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie produzida por alunos do 8\u00ba per\u00edodo do curso de Direito da Univi\u00e7osa, Jos\u00e9 Bruno Aparecida da Silva e Diego de Castro, e orientada pelas docentes \u00c2ngela Barbosa Franco e Maria Antonieta Rigueira. &#8220;Assim na terra como embaixo da terra&#8220;, de Ana Paula Maia (2017): um livro impactante, para ler em uma sentada s\u00f3! 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